“Com a domesticação, a cabra adquiriu o amor pelo homem que a trata, pela criança com quem brinca e que, não raro, amamenta com solicitude; conservou do animal selvagem, o gosto pela vida vagabunda, pelas correrias, saltos e lutas; guardou a insensibilidade à vertigem, preferindo as montanhas à planície e os lugares seguros das margens dos abismos” (Miranda do Vale, 1949).

A maravilhosa paisagem de Sistelo está intimamente ligada aos seus socalcos, à sua arquitetura popular serrana, à enorme biodiversidade das suas áreas naturais e à criação de raças autóctones.

A conjugação destes valores proporciona um mosaico singular capaz de envolver e arrebatar qualquer um.

A estreita relação entre as actividades agro-silvopastoris e esta paisagem, e os serviços de ecossistema que dela resultam, está ameaçada pelo galopante despovoamento (residentes permanentes) e consequente abandono da pastorícia, do qual as cabras foram as primeiras vítimas.

Quando apoia a criação de cabras em Sistelo, contribui para a gestão sustentável desta paisagem através da:

a) Prevenção e combate a incêndios florestais.
(1) Limpeza/abertura de trilhos/caminhos pelo pastoreio – DESCONTINUIDADES DE COMBUSTÍVEIS HORIZONTAIS;
(2) Separação entre estratos arbustivo/arbóreo herbáceo/arbustivo através da condução de piornais e giestais pelo pastoreio e pelo pastor – DESCONTINUIDADES DE COMBUSTÍVEIS VERTICAIS;
(3) Redução da carga combustível vegetal pelo pastoreio e pela roçagem de matos para cama para o estábulo – diminuição da intensidade de possíveis incêndios;
(4) Vigilância de ignições e comunicação ao serviço de emergências (117).

b) Gestão/Manutenção da biodiversidade doméstica.
(1) Manutenção de raças autóctones de cabras: Bravia e Serrana;
(2) O pastoreio preferencial de arbustivas pelas cabras favorece o desenvolvimento de pastos de herbáceas apreciados por ovelhas, vacas e garranos.

c) Gestão/Aumento da biodiversidade natural.
(1) O tipo de pastoreio prospectivo realizado pelas cabras, guiado pela sazonalidade da suculência dos matos e pastagens, leva a aumentos da biodiversidade vegetal e à heterogeneização da paisagem;
(2) A criação e manutenção de clareiras com pastagens herbáceas biodiversas é favorável a inúmeros mamíferos e aves ameaçadas e com estatuto de protecção;
(3) No Alto Minho, 90% da dieta do Lobo Ibérico provém de gado doméstico.