«Milhões de pessoas que vivem fora das zonas de montanha beneficiam dos serviços de ecossistema por elas fornecidos, nomeadamente:
1) metade da população mundial depende das montanhas para o aprovisionamento de água doce;
2) as montanhas são centros de diversidade biológica e cultural;
3) são um reservatório de diversidade genética agrícola que é activamente mantida pelas populações que aí praticam uma agricultura de subsistência,
4) são o refúgio de algumas espécies ameaçadas de animais e plantas;
5) oferecem paisagens únicas e imponentes a que se associam oportunidades de turismo e recreação (Nordregio, 2004;WRI, 2002).»
in Pereira, E. & Queiroz, C., 2009

“O abandono progressivo das práticas agro-pastoris tradicionais em Sistelo, nos últimos 50 anos, coloca em causa a manutenção dos serviços locais de ecossistema que dependem da intervenção humana.” (Pereira, E. & Queiroz, C., 2009)

Sistelo é uma freguesia que inclui várias aldeias, próximas das nascentes do Rio Vez, com território integrado no Parque Nacional Peneda-Gerês (Classificado como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO).

“Devido a esta localização única, 84% da área da freguesia de Sistelo (toda a área a Este do rio Vez) está incluída no regime de protecção da Rede Natura 2000 – Zona de Protecção Especial «Serra do Gerês» e Sítio de Importância Comunitária «Serras da Peneda-Gerês»” (Pereira, E. & Queiroz, C., 2009) Com mais de 2000 ha no PNPG, integra também a zona tampão da Reserva da Biosfera Gerês-Xurês.

Nos censos de 2011 as 6 aldeias de Sistelo totalizavam 273 habitantes. A história de Sistelo está intimamente associada à pastorícia. Uma história de transumâncias sazonais entre brandas (hoje quase todas abandonadas) e lugares. Uma história de raças autóctones adaptadas aos rigores de uma região acidentada e de clima extremado. Uma história que proporcionou uma paisagem fruto de fortes sinergias entre o Homem e a Natureza.

“A paisagem de Sistelo, moldada pela intervenção humana, reflecte a adaptação de uma comunidade rural ao território de montanha.” (Pereira, E. & Queiroz, C., 2009)

No efectivo pecuário destacam-se os bovinos, onde predominam as raças autóctones Barrosã e Cachena, seguido de ovinos de raça Bordaleira de Entre Douro e Minho, e dos equídeos – que totalizam respectivamente 696, 234 e 130 animais. Os caprinos têm actualmente uma expressão muito reduzida.” (INE,2009) As “burras” garranas, as vacas cachenas, as ovelhas churras do Minho e as cabras bravias todas de pequeno porte no entanto portadoras de uma rusticidade surpreendente, são o resultado de uma relação milenar entre Homem e montanha e por isso aproveitam os recursos locais como nenhuma outra raça. Mas hoje, a rés (ovelhas e cabras) escasseia, fruto da desertificação social acelerada a partir de meados do século XX, foram as primeiras vítimas do abandono. A sua falta sente-se na montanha, os ciclos alteraram-se e os incêndios são ameaças sempre latentes.

“Situada numa zona de inestimável valor ecológico, a freguesia de Sistelo apresenta uma enorme diversidade de habitats que compreende as galerias ripícolas nas margens do rio Vez, zonas agrícolas, floresta de coníferas maioritariamente usada para exploração de madeira, bosques nativos de caducifolias e matos de altitude. Estes habitats albergam um grande número de espécies animais e vegetais que fazem de Sistelo uma zona detentora de uma singular riqueza faunística e florística.

No últimos tempos Sistelo recebeu novos galardões e classificações – nomeadamente a classificação como Paisagem Monumento Nacional e o galardão de 7 maravilhas na categoria de aldeia rurais, que trouxerem enormes modificações ao nível do turismo e visitantes, embora não tenha havido impacto nas atividades agrossilvopastoris de gestão de paisagem que continuam em declínio.